Manifesto da Plataforma “Defendemos o Porto Velho”

A Plataforma “Defendemos o Porto Velho” foi criada no último mês de maio pelos vizinhos e vizinhas da Barceloneta e de outros bairros da cidade de Barcelona para afrontar o novo projeto especulativo da reforma do Porto Velho, ampliação e privatização do Cais da Espanha.

Este projeto evidencia, mais uma vez, a obstinação pela promoção de um modelo de cidade excludente e privatizado, pensado somente para uma pequena elite de “super-ricos.” Nesta parte da cidade conhecemos muito bem as problemáticas vinculadas a especulação urbanística e a privatização do espaço público pela experência de exemplos anteriores como foi o caso da construção do Hotel W ou do Complexo Comercial do Maremagnum, já que ambos empreendimentos estão localizados nas imediações do Porto Velho. Este novo projeto implicará novos impactos sociais negativos não só para o bairro, como também para a cidade, além de representar uma clara ameaça à cultura marítima e ao nosso direito à cidade.
Esta reforma não aposta pela promoção de um modelo de cidade sustentável. As iniciativas e projetos nas cidades devem prever não só o benefício econômico, mas também o impacto social e ambiental que supõe para os seus habitantes. É neste contexto que a Plataforma “Defendemos o Porto Velho” estabelece os seus princípios fundacionais para enfrentar esta nova ameaça aos nossos direitos.

  • Defendemos a não privatização do espaço público, por isso declaramos a nossa firme oposição à ampliação do Cais da Espanha e do impacto do projeto na parte Norte do Cais de Pescadores. Queremos um Porto cidadão que seja um espaço de lazer para todos os que vivemos na cidade. Um espaço onde todas as pessoas possam desfrutar da cultura marítima que forma parte do nosso patrimônio histórico e social.
  • Somos contra a construção de barreiras como as que implicarão na definição de uma zona de segurança máxima, assim como a construção do muro que prevê o projeto do Cais da Espanha e que suporia a obstrução do horizonte da Barceloneta e do Gótico levante.
  • O impacto social e ambiental deste projeto que pretende converter o Porto Velho numa garagem de super-iates de luxo é um outro ponto que fundamenta a nossa clara oposição.

O aumento dos preços da moradia em decorrência deste novo investimento especulativo, produzirão uma nova migração de vizinhos e vizinhas que não poderão pagar os custos de aluguel no bairro, como já esta acontecendo na Barceloneta e em outros bairros da Cidade Velha por causa da multiplicação de apartamentos utilizados com fins turísticos. Ao mesmo tempo a substituição de amarres de pesca por amarres de grandes iates implicará no abandono da pesca no Porto Velho ameaçando a sua desaparição e colocando em risco a soberania alimentar da cidade. A pesca artesanal na cidade de Barcelona, respeitosa com o seu meio natural, e a importância de se articular com associações/cooperativas de consumidores/as responsáveis que apoiam este modelo ainda vivo, mas que está em vias de extinção devido ao processo de abandono progressivo que sofreu, também se vê afetado por esta intervenção.
Assim mesmo, queremos denunciar a violação do direito de acesso a informação que sofreram as pessoas e entidades afetadas já que, mesmo solicitando, não puderam aceder a totalidade do projeto. Em todo este processo, a Autoridade Portuária atuou de forma pouco transparente, impedindo o acesso à suposta informação pública do projeto. Exigimos transparência e a participação da vizinhança neste processo que afetara claramente a relação de Barcelona com o mar.


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